White rock by Michael Reichmann

branca pedra
por madalena pestana

"Vou-lhe dizer um grande segredo, meu caro. Não espere o juízo final. Ele realiza-se todos os dias." "La Chute" - Albert Camus

Portugal

16 setembro 2005

bom fim de semana.

from iloveoregon.com

15 setembro 2005

ergueu as flores de Ada


imaginou a agilidade dos dedos da mulher ao tocá-las, o carinho.

eram para ti. são para ti. da côr exacta do sol que hoje não veio.

como fui crédulo ao pensar que lembrando-te com toda esta saudade, recordando-te inteira, tu virias!

dá uns passos na direcção do mar. fica-lhe para trás o último rasto de romeiro, o cantil já vazio.

vê as ondas. vêm quebrar-lhe aos pés. parece querer contá-las com exactidão.

porque esperavas sempre a sétima onda antes de deitares flores ao mar?

Ondeia, diz-me!

nem que seja só isso. não cheguei a saber. talvez até o tenhas dito e eu não tenha ouvido, mais preso a ti do que ao que tu fazias. mais preso a querer-te que de facto a ver-te.

meu amor, a ser assim quanto perdi de ti ?!

porque não me avisaste? não gritaste? para me fazer sair deste egoísmo de querer fechar-te na mão, como uma jóia, em vez de te deixar ondear no mesmo vento que te trouxe a mim.

à certa sétima onda, Jaime atirou os girassóis às vagas.


Dream Lover Med


voltou-se bruscamente de costas para o mar. tropeçou numa pedra. numa branca pedra que até vira, ou não vira? ao chegar.

baixou os olhos na direcção da pedra, fixo. atento.


- tens cigarros?

- não.

Ondeia!

dá-me a tua mão, meu amor . a mão! apenas .

by Brian Morrison


fim de "Ondeia"

por onde passara na descida do penhasco

from Photo Art

vira Ada projectada em tudo o que o cercava.

Ada ou Ondeia? qual delas eu amei? qual delas foi real? qual delas se deixou amar por mim? qual me fugiu?

para mim era Ondeia, a das noites insones, do corpo que se ajusta como uma veste leve ao corpo nu. para mim era Ondeia e assim a nomeei como ela fazia às aves, aos caminhos, às plantas mais pequenas onde descansasse por breves segundos o olhar profundo.

que foi que não vi, que não amei como devia nela?

é tarde agora. é sempre muito tarde se já é depois.

não esquecerei nunca a tua dança, os teus rituais de maga pelos bosques, Ada, pois se foi o que primeiro de ti e em ti amei, me apaixonou.

by emil schildt

a tua cumplicidade com a vida. com o que nasce e vive sob o mesmo sol.

bebe do cantil um golo de água como peregrino que atinge, já sem força, o lugar certo da peregrinação.

desceu o dia e não se ergueu o sol. precisava de sol para este gesto. nem o sol se apiedou de mim.

14 setembro 2005

ombros caídos como quem leva um fardo

descia tropeçando qual um bêbado.

trouxera no bolso um pão bem embrulhado para matar a fome inevitável, um cantil de água ao ombro, o diário e flores.
estranhos adornos os que lhe sobravam na descida. mas ninguém o veria além dos pequenos animais do bosque ou as aves poisadas nas escarpas preparando ninhos.

murmúrios incoerentes lhe saíam agora. os gritos, poucos, que soltara, pareciam ter esgotado toda a compostura e energia com que, madrugada ainda, para ali se encaminhara.


se vês, aonde estás, dizem que estás... acode! vê-me a mim.


chegou à praia com o cansaço de quem atinge a meta final.

tudo tinha sido programado. cada passo. como quem se prepara para uma grande, interminável viagem.


13 setembro 2005

escreveu longa, aceleradamente.

a mão rápida, uma ruga funda na testa. mais nenhuma expressão.

esvaziada a memória. fechou o diário e ao fazê-lo viu cair um cartão, uma foto que apanhou e demorou a olhar.


serius portrait by emil schildt

tão linda meu amor. que sorte tive. que fiz eu para merecer a perfeição?

foi esse o meu pecado? querer-te minha? podes crer voltaria a pecar vezes sem conta. mas se não posso ter-te para quê olhar um rosto de papel que amarelece já. estás bem mais viva em mim. estarás sempre.

silhoue t- paa-klippe

enquanto olhava ainda, com ternura, o rosto de Ada, acendeu o último cigarro que restara. fumou-o devagar. depois fechou a foto no diário.

como num ritual subiu ao ponto mais alto dos rochedos e atirou à água tudo o que escrevera.

de uma vez se juntam realidade e lenda. se é como dizem e és já onda ou rocha aqui vai tudo o que contigo vivi senti sonhei. guarda-o contigo meu amor, até ao reencontro.

nem se ouviu a queda na água de tão grande a distãncia.

o homem começou a descer. cansado. lentamente.

5ª entrada - como passaste tu de corpo quente

titles are hard to find - so this is the title for this one.....
by emil shildt

à gelada distântia aonde não te encontro.

recuso tudo aquilo que me dizem de ti. recuso a tua morte a tua fuga. seria recusar-nos e não posso, não quero, não sei fazê-lo.

vesti luto por dentro mas esperei-te. espero-te ainda no momento que antecede o fim da nossa história.
como despertarias de tanta carne viva e partirias para a morte sem que eu gelasse antes de ti?

como fugirias de mim sem que ouvisse o teu rumor de ave que se afasta? sem que te visse as penas caídas após tão cruel voo?

não. não creio em nada do que dizem. não viraste estátua nem rocha como dizem as mulheres da rua quando passo. percorri todos os recantos e escarpas.

A woman of mystery -Tony Roberts

os caminhos, os nossos e os teus. que os tinhas mas eu também os sabia ao ver o rasto leve das sapatilhas de corda que nunca abandonavas.

não. que crueldade a deles, meu amor...

azulavas todos os caminhos

Blue rock Lars Andersson

à tua passagem tudo se iluminava e tinha voz. vencias o nevoeiro. um dia como este estaria limpo já e cheio de côr, não fora tu não estares.

como fomos felizes!

ninguém o terá sido ou será mais. nunca pensei perder-te. queria amar procriar reproduzir contigo a beleza e a paz que carregavas.

falámos até da velhice, lembras? e de como nunca abandonaríamos a beira mar fosse qual fosse a idade.

imaginávamo-nos velhinhos, de mão dada recolhendo conchas pedras, com o carinho que punhas em tudo o que fazias dentro da natureza.

ondes estás?

responde que estou farto das lendas que se formaram já a envolver-te.

não vês que isso me faz perder-te dia a dia mais e eu não quero perder nada de ti?

que aconteceu naquela noite? conta!

até no esconso das rochas nos amámos. que poderia ter-te acontecido depois de te ter cercado com o meu corpo, até cairmos os dois abandonados ao sono inevitável. diz-me. diz!

Ada subia com o sol vencia o nevoeiro

trespassava o tempo, era presente. tanto o homem fugira daquele reencontro!

cinco anos volvidos após a ausência da mulher é que voltava.

todo esse tempo passou-o num silêncio estático.
para vencedor nascera e assim continuou. trabalhou até à exaustão. ninguém o encontrava fora da empresa que geria com competência redobrada.
só o homem do bar perto de casa onde descia para uma bebida menos solitária, o via.

- novidades de Ondeia, Dr.?

perguntava de início o velho parceiro das horas de abandono.

- nada.

Ondeia, a nomeara ele. pelo doce ondear dos cabelos, do corpo maleável. Ondeia lhe chamava a vila a meia voz, de início. depois alto num vozear crescente após o súbito desaparecimento.

- Ondeia, que é de Ondeia? tão triste anda o Doutor, pobre homem, mete dó! e eram tão felizes!


couple by emil schildt


Ondeia! chama a terra a relva as aves as nuvens as rochas e o mar. Ondeia!

que é das tuas ondas de berço Ada? que é de ti?

já se esbatem em sépia as tuas cores nunca o teu ondear de serpente marinha, de vaga às vezes, mas de onda suave sempre.

como se uniam se afastavam e reencontravam os nossos sôfregos corpos nús, tal como ondas. éramos mar Ondeia. em constante movimento de vai vem e rodopio e chão de areia e rocha e retorno. e depois calmia da maré.

não sei amar outro corpo além do teu, não sei!

sufocava ao ar livre no silêncio insistente da manhã.

12 setembro 2005

que medo de tocar-te!


medo de que desaparecesses como tinhas surgido. medo de te perder por te tocar. medo de descobrir que não eras real.

antes não fosses!

não, perdoa meu amor. minto só porque te sofro a ausência. nada de melhor tive na vida, nada!

não resisti e estendi-te a mão aberta. ao receber a tua, dei comigo a falar como se fossemos amantes desde sempre:

- nunca me recuses a mão quando te der a minha, por favor!

ficaste subitamente séria. desceste do carro resvalando ao longo do meu corpo e respondeste mansamente:

- nunca.

depois? depois ensinaste-me todos os caminhos, não só o do hotel.
que foi que juntos não percorremos, diz-me!


Sea-Rocks-Gerald Robinson


tanta coisa poderiam contar da nossa loucura de anjos soltos das regras dos deuses. foram eles. sim foram os deuses gulosos de ti que te levaram, não vejo outra razão, não vejo outro lugar onde possas estar longe de mim.

foge-lhes, Ada, foge aos teus desuses outra vez e volta. foge!

o silêncio daquela antemanhã que a névoa prolongava pareceu ficar mais denso. nem o som da folhagem ele ouvia. nem o piar das aves que aprendera a escutar, nem os saltos de esquilo, nem as ondas. não, nesse momento, nem as ondas nas rochas conseguia ele ouvir.


teria eu acreditado se não visse? terei visto ou sonhado

o bailar à beira de cair de uma gota, que parecia chuva gelada aguardando a primavera para se libertar, nos olhos comovidos de Ada?

tanta luz tanta cor a inundar-lhe o olhar! a vitória do sol a vencer o nevoeiro! tudo, tudo nela era o milagre da vida.

from milan blstak


e eu tivera a honra de ser convidado a assistir. a participar desse momento.

não fosse aquele olhar, aquela voz, aquele rir de pássaro à solta, aquela lágrima guardada com pudor de jóia. não fosse Ada, eu estaria aqui?

Ada, meu amor de sempre a sempre, que fizeste tu de ti, de mim?

o grito ecoou. e depois o silêncio voltou como resposta. o homem dobrou-se sobre si e soluçou.

senta-se nas ervas húmidas da noite

de nevoeiro denso. não parece importar-se. o diário atirado para o chão. o olhar no longe.

- precisava de ter tomado mais café. vícios são vícios há que tê-los em dia.

ri de si, do seu próprio humor.

- claro. vim preparado para a fome e esqueci o café. também já teria gelado a esta hora e café para mim, só fumegante.

o tempo que passei silencioso escutando nada até a ver pedir-me que subisse. eu? o bem comportadinho subir para o topo de um automóvel velho para o lado de uma mulher a cada segundo mais admiravelmente misteriosa e... desejada?

eu?!

subi logo.

- olhe com atenção, ali, naquele galho, duas crias a pedir comida. a mãe anda por perto...não fale. olhe só.


como os descobriu ela lá tão alto no meio ainda do nevoeiro cerrado, não sei ainda hoje. claro que perguntei. mas ela estava toda entregue à contemplação das pequeninas aves e não me respondeu.

4ª entrada - eu

CastleRockTree-Dan Mitchell.


falei de mim. na realidade entornei a minha vida em cima dela. queria que me soubesse todo. contei-lhe das rotinas de como e onde vivia, onde passava as férias. as saídas de madrugada do hotel para levar os olhos a pastar, o como me perdera e a vira chorar. sim caí em falar disso e arrependi-me logo.

ela não reagiu. estava atenta. ouvia ou parecia ouvir-me e isso me bastava: ela ouvia-me. subitamente deu um salto belo, de corça, para cima do tejadilho do carro e voltou ao silêncio. não estranhei. como se fosse natuiral na minha vida patética e urbana, conversar com alguém que estivesse em cima de um carro a escutar. como se o certo fosse isso. nela era.

- não fale agora. escute só.

silenciei com gosto e apurei o ouvido. nada se ouvia na floresta de novo mas, escutei. não tinha ela pedido que escutasse?

11 setembro 2005

espera que o sol rompa o cinza interminável

fog-sun-tree by Gordon Richardson


já não escreve. limita-se a olhar. cada espaço tem uma história breve mas instante nele.

ouve bramir o mar de encontro às escarpas. lá em baixo. sabe que irá vê-lo. sabe que refará todo o percurso que fizeram os dois.

é a primeira vez que o faz sozinho. decidira mesmo não voltar.
decisões de horas de raiva mágoa frustação.

e hoje, passados cinco anos, sente que nunca deixou de estar ali.

viveu ali cada segundo do após ela.

para quê fugir mais, pergunta-se? nunca lhe conseguirá fugir. nunca.

acende outro cigarro.

- que se lixe! eu gosto de fumar.

não imagina como as árvores se agigantam à noite


com o nevoeiro. são fantasmas com braços pendentes ou estendidos na nossa direcção.
sabia que eram árvores e temia-as. e amo-as. amo as árvores. conheço-as quase que uma a uma, as do caminho.

dou-lhes nome. são-me amigas mas temi-as. sinto-me tão ridícula agora que estou segura porque você chegou.

soprava o fumo para cima, para a neblina. fazia-os serem um.
ela própria era um todo com aquele espaço: as fragas, as veredas íngremes as árvores, ela e a manhã. um todo. o todo.
atrevi-me a falar: - bom dia! eu sou o Jaime...- fiquei-me por aí como um adolescente, estendendo-lhe a mão que ela segurou com dedos esguios compridos, de ave.

- Ada. sou uma tola. não parei de falar.

- fale. estou a ouvi-la. gosto da sua voz.

riu. um riso de cristal. lindo, alto. canto de pássaro no amanhecer.

3ª entrada - ela

Giancarlo Amici

não tivesse sido o rosto dela quando saiu do carro...
não, não foi o rosto. o rosto também.

ela não saiu realmente, ergueu-se no ar. ondeou sobre a paisagem rústica que ainda nem se via, clareou-a. inundou-a de sol.

olhou-me. não me olhou. olhou tudo em simultâneo. trespassou o nevoeiro com o olhar. todo o nevoeiro até o que eu trazia dentro e não sabia.

não tivesse ela olhado assim, toda uma vida patética de homem de sucesso, num relance, e eu ter-lhe-ia perguntado o caminho ou nem isso, e teria seguido. mas olhou.

já não chorava. teria ela chorado? tinha, já que eu o vira pelo vidro do carro.

- bom dia. tem cigarros?

foi a voz. foi também a voz ecoante no silêncio de árvores frias demais para falar.

foi o breve tocar de dedos no estender-lhe o maço. o sorriso depois.

- obrigada. passei a noite aqui, o carro recusou o último salto como um cavalo velho já cansado. confesso, tive medo de sair sozinha e ir a pé.

gargalhou de si mesma.ria de quê? se eu nem ouvira...

tinha o olhos pregados nela. como se fosse a mulher. a primeira, a última mulher que via ou voltaria a ver.

não foi?


fecha o diário.

poisa-o sobre o carro velho a que se apoiara, como a um amigo, manhã cedo, após longa noite de copos alargados.

- diário! que parvoíce! desde rapaz que tento fazê-lo e não passo de meia dúzia de páginas até os esquecer no fundo da gaveta. o meu pai dizia ser coisa de raparigas e devia ter razão. comigo não dá. depressa me farto. mas há muitos escritores que os deixaram e são célebres hoje. mas eu não sou escritor. sobretudo de diários não.

aliás escrever para quê? está tudo tão presente.

o olhar dela. as lágrimas que vi sem ver através do vidro embaciado. ela. ela. ela.

que foi feito dela?

queria-a aqui agora, como dantes.

quero-a aqui !
-

deu por si a gritar. olhou em volta como se do nevoeiro pudesse vir a crítica de alguém. perdera a compostura e não gostava nada de sentir assim, frágil a esse ponto.

at minibite.com

- se não me tivesse perdido não teria tropeçado neste carro que já ao tempo era peça de museu. não teria olhado para dentro dele na esperança de ver alguém que soubesse a direcção da vila. não teria visto os seus olhos chorosos emoldurados a cinza e a nevoeiro.

que faço eu neste bosque? que procuro? ainda acabo por enlouquecer. -

falva alto. sabia-se sozinho áquela hora. duas lágrimas acabaram por rolar-lhe dos olhos fixos. não se deu ao trabalho de as limpar.

2ª entrada - o nevoeiro

ElCapitanHalfDomeBridalveilFall-theberaneks.org.

se não tem sido este mesmo nevoeiro, este mesmo silêncio matinal, este mesmo tom cinza nas árvores como nas escarpas, eu não teria perdido o sentido da direcção do hotel.

pois, se não tem sido isso não a teria agora como uma visão, a absorver-me cada minuto de vida respirável.

o carro. o nevoeiro. o cinzento. o frio. que tal como hoje estava frio. está sempre frio quando saio a caminhar, todos os anos, por estas veredas. sou de rotinas. todos os anos passo férias no mesmo hotel. há quem se ria. sei. não me incomoda. gosto de estar aqui. gosto. ainda gosto?

e nunca as reconheço se há neblina, as veredas, parecem tão iguais!

hoje, como naquela manhã. como se não tivessem passado cinco anos. tudo quieto. parado. no mesmo lugar. cinzento. frio.

tenho de estar atento. corro o risco de me perder outra vez.

hoje, só não iria encontrar aquele olhar. então também não estaria hoje aqui, de novo, sozinho a esta hora. em dia de trabalho. devo estar louco eu. já nem sei o que penso.

vou fumar um cigarro. um só. e volto a não fumar.

1ª entrada - o carro

car Will Agar

devia ter vindo pelo caminho novo.

devia? fiz de propósito ao vir por este. ainda não sei bem o que me fez voltar. claro que sei: a memória obsessiva dela!

ver o carro, ali abandonado como da primeira vez, quase me arrepiou. provavelmente é frio.

está cá uma manhã! a neblina encobre o sol e arrefece tudo.

como estará a casa? não, o melhor é nem ir até lá. desço apenas a escarpa, vou até à baía ou nem isso. olho o mar e volto para a cidade.

rasguei as calças num ramo e nem dei por nada. e se custaram caro! não me ajusto já ao pronto a vestir.

nesse tempo sim. era tão fácil. um par de jeans e ala que se faz tarde.

mas nada é como era, a não ser ela, na minha cabeça, como uma miragem que não se quer esbater.

se não tem sido o carro, aquele carro, todo o presente seria outro hoje.

talvez não.

será que há por aqui algum lugar onde tomar café?